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Quando Steven Spielberg perdeu pra Afonso Brazza

Num filme ruim sempre se pode pescar frases úteis, isoladas e certeiras. Neste tipo de película considero covardia a crítica totalizante, uma falta de respeito para com todos os envolvidos. 

Cineasta e  atores levam as pancadas que também são sentidas pelos anônimos que seguram fios, lanches e correm tanto ou mais que os famosos. Os filmes ruins são os melhores, estimulam a inteligência de outra forma, onde o espectador se encontra mais consigo e tem a chance de preencher as falhas e inconveniências praticadas pelos que tiveram os meios e não conseguiram ou erraram deliberadamente. 

Quando eu trabalhei numa rede yankee de cinemas conheci Afonso Brazza, no shopping pier 21 de Brasília, lá pelo ano 2001. Fumamos juntos quando ainda se podia fumar naquele lugar, desempenhávamos papéis diferentes ali, eu carimbava os ingressos e vendia pipoca, o Brazza buscava informações de bilheteria sobre o seu filme de escassos recursos onde qualquer um era ator, e naqueles dias disputava o público com Steven Spielberg dirigindo a nova versão do filme E.T. 

Ganhei uma camiseta do filme autografada pelo Brazza, não a tenho mais,  a perdi no ano seguinte próximo aos dias em que o bombeiro e cineasta morreu, tampouco lembro do título do filme do Brazza, mas sei que rimos de uma  mentira que contei antes de terminar o cigarro e voltar pro trabalho: Brazza voce está batendo muito no Spielberg.