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Quando Steven Spielberg perdeu pra Afonso Brazza

Num filme ruim sempre se pode pescar frases úteis, isoladas e certeiras. Neste tipo de película considero covardia a crítica totalizante, uma falta de respeito para com todos os envolvidos. 

Cineasta e  atores levam as pancadas que também são sentidas pelos anônimos que seguram fios, lanches e correm tanto ou mais que os famosos. Os filmes ruins são os melhores, estimulam a inteligência de outra forma, onde o espectador se encontra mais consigo e tem a chance de preencher as falhas e inconveniências praticadas pelos que tiveram os meios e não conseguiram ou erraram deliberadamente. 

Quando eu trabalhei numa rede yankee de cinemas conheci Afonso Brazza, no shopping pier 21 de Brasília, lá pelo ano 2001. Fumamos juntos quando ainda se podia fumar naquele lugar, desempenhávamos papéis diferentes ali, eu carimbava os ingressos e vendia pipoca, o Brazza buscava informações de bilheteria sobre o seu filme de escassos recursos onde qualquer um era ator, e naqueles dias disputava o público com Steven Spielberg dirigindo a nova versão do filme E.T. 

Ganhei uma camiseta do filme autografada pelo Brazza, não a tenho mais,  a perdi no ano seguinte próximo aos dias em que o bombeiro e cineasta morreu, tampouco lembro do título do filme do Brazza, mas sei que rimos de uma  mentira que contei antes de terminar o cigarro e voltar pro trabalho: Brazza voce está batendo muito no Spielberg.

Herrade de Landsberg


Herrade de Landsberg escreveu o Hortus deliciarum (Jardim das delícias). Essa era a principal enciclopédia do seu tempo, eruditos consultavam a tal obra. 

Graças aos renascentistas e iluministas o acesso à esse tipo de dado é até hoje dificuldado pelo preconceito histórico. Herrade de Landsberg viveu na "Idade das Trevas", no século XII.

A ilustração acima estava no Hortus deliciarum, representa as sete artes liberais, trivium (retórica, gramática e lógica) e quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia).

HÚBRIS

Um tema tabu inegavelmente pouco encarado na história é o do declínio.

O historiador inglês Toynbee o abordou e lançou as bases, que eu saiba ainda firmes, para a análise comparada das civilizações e seus respectivos colapsos.


Contrariar as capacidades é uma ação que na natureza se torna óbvia para qualquer observador. O curto circuito, o estouro de um balão, uma sacola rasgada refletem a incapacidade física de certas estruturas frente a certos desafios.


A incapacidade existe, traz consequências em certas condições de exposição e não se limita aos fenômenos físicos.


Toynbee tocou a ferida.


Uma representação da húbris pode ser vista na pintura de Hans Sebald Beham sobre o impossível em 1595. A preocupação do pintor com a húbris é refletida na mensagem escrita em alemão arcaico Niment under stesich groser Ding, die im zu thun unmuglich sindt (“nunca se proponha fazer aquilo que lhe seja impossível conseguir”).


O CÍNICO E O IMPERADOR

Alexandre a Diógenes: o que posso fazer por você?
Diógenes a Alexandre: Não me faças sombra.
Alexandre aos oficiais zombadores: Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes.

Diógenes originou o cinismo. 

Cínico, do grego Kynikos-Kynon, cão. 

Defendia que o ser humano deveria estudar o cachorro para assim viver sem constrangimento, ansiedade ou hipocrisia. Vivia como mendigo, procurando com uma lamparina um homem honesto.

Sócrates educou Antístenes; Antístenes educou Diógenes.

Sócrates educou Platão. Platão educou Aristóteles. Aristóteles educou Alexandre.